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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Caravana Pixaim



Mais de 600 expectadores em primeira temporada pelo interior

Mais de 600 crianças de quatro cidades de Mato Grosso participaram da primeira temporada do projeto Caravana Pixaim nos últimos dias. Somadas às já atendidas pelo projeto em Cuiabá e Várzea Grande, a ação já atingiu quase mil crianças, além de professores e funcionários de escolas estaduais. Nos últimos dias, a ação passou por Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Jangada.

A Caravana Pixaim distribuirá três mil exemplares do livro “Cabelo Ruim”, da jornalista Neusa Baptista a escolas de 22 cidades e leva uma peça teatral homônima baseada no livro para discutir as relações raciais dentro da escola.



Desde a última sexta-feira (5), o projeto tem percorrido as escolas levando oficinas de leitura e escrita, esta última ministrada pela autora do citado livro, Neusa Baptista; oficinas de Tranças Afro, com a Lidia Rosa Dju de Guinea-Bissau. À frente do projeto está o produtor Paulo Traven, da CUFA-MT.

Em Santo Antônio de Leverger, onde a Caravana esteve na escola Leonidas de Matos (600 alunos), a coordenadora do programa Mais Educação, Gretchen Pinheiro, ressaltou que a população local é mestiça e que, portanto, tem levado a discussão sobre a diversidade à sala de aula por meio do diálogo. “Trabalhamos temas como direito, cidadania, valores, na medida do possível”, disse ela.



O estudante Kilmair Ygor Galdino, 10 anos, ressalta a presença do preconceito na escola por meio de piadinhas, brincadeiras, mas reprova a atitude. “Tem meninas que tem o cabelo enrolado e são chamadas de bombril. Isso é horrível, pois se fosse a gente, não íamos gostar”. A opinião é compartilhada pela maioria dos alunos participantes das atividades, porém a maioria identifica situações de discriminação racial na escola e na sociedade. “Cada um tem seu nome, ninguém gosta de apelidos”, disse a estudante Clara da Silva, 14 anos.

A professora Elaine Cristina da Silva aponta que a discriminação está geralmente relacionada à aparência. “Qualquer coisa fora do estereótipo é alvo de piadas e apelidos”.



A mesma opinião é expressa pela coordenadora da escola José de Barros Maciel, em Nossa Senhora do Livramento, Mariluce Fátima da Silva. “Não podemos negar que o preconceito racial existe. Aqui mesmo na escola, em dia de festa junina, ninguém quer dançar com as meninas mais ‘moreninhas’”.  O estudante Geovane Carvalho da Silva, 11 anos, confirma que os xingamentos dos colegas são constantes.  “Tem colega da sala que é chamada de cabelo Bombril. Tem reunião de pais, mas ninguém participa”.
A professora Azélia Martins Melo lembrou que, na edição anterior da Caravana, em 2010, era assessora pedagógica e trouxe à escola os remanescentes de quilombolas da comunidade de Mata Cavalo. “Foi muito proveitoso, pois meninas de lá que fizeram a oficina de tranças depois voltaram aqui para dar mais uma oficina”.



Em Poconé, onde a Caravana passou pela escola Bacharel Ribeiro de Arruda,  a professora de História Marilda Domingas informa não haver projeto específico sobre o tema na escola, mas que isso é abordado de forma contínua. “Conversamos muito com os alunos, mas sentimos sua resistência a discutir esse tema”.  O diretor Wanderson Sebastião Barbosa (Ximbo) confirma que 70% das crianças são negras, descendentes dos negros escravizados no passado.  “Até quarenta anos atrás havia locais interditados aos negros na cidade. Mas isso mudou muito. Na última eleição, tivemos duas vereadoras negras”.

A articuladora educacional da escola Prof. Arlindo de Souza Bruno, em Jangada, Eucila Jesus de Arruda, comenta que as atividades voltadas ao tema se concentram em novembro, mês da Consciência Negra. “É preciso mudar, e é mais fácil mudar as crianças. Este trabalho de conscientização é muito importante”.
A professora de Educação Infantil Vilma Vera Mendes, fala da falta de materiais didáticos e das dificuldades de trabalhar o tema. “A gente lê muito para eles sobre isso. O último livro foi ‘Menina Bonita de Laço de Fita’ e foi muito bom. Aqui não temos projetos, mas já trabalhamos isso em projetos em outras escolas”.



Devido às férias escolares, as ações do projeto voltam em agosto.

Mais fotos do Projeto -> http://www.flickr.com/photos/cufamt/sets/72157633606866607/

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Projeto Caravana Pixaim, volta a estrada!

Caravana Pixaim finaliza percurso pela Capital e VG e segue para o interior

Por: Neusa Baptista
Fotos: Leana Santos


A Caravana Pixaim, que levará teatro, leitura e tranças afro para escolas públicas de 22 municípios de Mato Grosso, encerrou suas atividades em Cuiabá e Várzea Grande, e segue nesta sexta (5) para Santo Antônio de Leverger, onde as atividades começam à 
partir das 14 h.

Na cidade industrial, a Caravana visitou a escola Dante Martins de Oliveira. Entre os que aprovaram a iniciativa estava o diretor da unidade de ensino, Carlos Caetano, que também é liderança do movimento negro.  De acordo com ele, há grande necessidade de discutir sobre diversidade na escola, pois há muitos casos de bullying racial e 80% dos alunos são negros. Ele, que já esteve em uma das apresentações da Caravana Pixaim em 2010, se disse contente com a oportunidade de levá-la à sua escola. “Ficamos felizes em receber este projeto, pois na escola enfrentamos situações de racismo muito presentes, tanto que temos até um projeto para tratar deste tema. A escola precisa dar este tom a seu discurso”.

Carlos Caetano


A aluna Maria Karolaine Santos, de 11 anos, confirmou a existência de preconceito na escola, principalmente o de origem racial. “Todo mundo põe apelido em todo mundo, chamam um de barrigudo, falam do cabelo das meninas. Isso é muito triste”. 
Outra aluna, Hanela Vitória Arruda, de 10 anos, reclama das constantes piadinhas feitas pelos colegas de classe sobre a aparência física das crianças. “É preciso mostrar que todos são iguais”.

Maria Karolaine Santos

O pátio da escola ficou pequeno para as cerca de 350 crianças que lotaram o local para ver a peça e participar das oficinas. Além delas, mães de alunos também compareceram. “Vim para aprender a fazer a trança afro, pois já sei colocar tranças e a procura é muito grande. Acho muito bonito e uma forma de valorizar o cabelo da gente”, comentou a cabeleireira e manicure Edilaine Driele da Silva, de 25 anos.

Neusa Baptista, Edilaine Driele da Silva e Eliane G.

A professora Ione Benedita de Oliveira, uma das participantes do projeto Arte Africana e Suas Influências, desenvolvido na escola, apontou a necessidade de conhecer a verdadeira história do povo negro. “Muitos alunos acham que os negros já vieram para cá como escravos e, portanto, que eram escravos em sua terra natal. Procuramos resgatar esta história que está sendo mal contada há tanto tempo, mostrar o que os negros deixaram de bom para o país”.

Ione Benedita de Oliveira


“O que eu não quero para mim, não faço para os outros. Os apelidos são muito ruins, não fazem bem para ninguém”, comentou o aluno Kennydy Gomes Corrêa, de 14 anos, que foi um dos ganhadores dos exemplares do livro “Cabelo Ruim?” sorteados entre os alunos.

Kennydy Gomes Corrêa e Hanela Vitória Arruda

Escola histórica.

Em Cuiabá, mais de 200 alunos da escola estadual Senador Azeredo, no bairro do Porto, participaram na tarde desta quarta (3) da abertura da temporada 2013 do projeto Caravana Pixaim. Alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental assistiram ao espetáculo “Cabelo Ruim?”, encenado pela atriz Tatyane Silva, que encarnou as personagens do livro homônimo – Bia, Tatá e Ritinha -, encantando os pequenos com as peripécias vividas pelas meninas em torno do cabelo ruim.


A diretora Maria Luiza Ippolito Pelufo destacou que na unidade, o tema é abordado de forma interdisciplinar, discutido em todos os momentos da ação educativa. “Embora eu ache que o preconceito é uma coisa superada, ainda temos resquícios de preconceito, sentimos isso muito forte aqui na escola”.

A escola, que conta com 479 alunos, convive com as diferenças no dia a dia, pois recebe alunos oriundos de famílias tradicionais do bairro do Porto, descendentes de ribeirinhos, e com crianças atendidas pelo Lar da Criança e pelo Projeto Nossa Casa, muitas das quais em situação de vulnerabilidade social, advindas dos projetos Nossa Casa e do Lar da Criança.

A costureira Sônia Maria Beteleque aprovou a realização da ação na escola e a viu como necessária. “É muito bom discutir isso na escola, pois há muito preconceitos, sim. Vejo isso pelo meu próprio filho, que vive colocando apelidos nos outros, porque é gordinho, ou deficiente. E eu não sou assim. É importante a escola tratar disso”.

O coordenador do programa Mais Educação, Flúvio Henrique de Arruda Fortes, aprovou o projeto, que considerou “ótimo” por trabalhar com as diferenças, algo que é comum na escola.  “Nosso público é muito diverso, então abordar o tema da diferença é muito importante, com certeza será um grande aprendizado para as crianças”.
Além das atividades, cada escola recebeu 100 exemplares do livro.



Cronograma


Na próxima semana, a Caravana segue para os municípios de Nossa Senhora do Livramento (8), Poconé (9) e Jangada (10), retornado às atividades em agosto, após as férias escolares. A Caravana Pixaim é patrocinada pelo Grupo André Maggi e pelo Grupo Rede, via Lei Rouanet.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Projeto Pixaim,CUFA-MT,recebe certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil


Projeto Pixaim é uma Tecnologia Social!




O que é Tecnologia Social?

Compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social.

É um conceito que remete para uma proposta inovadora de desenvolvimento, considerando a participação coletiva no processo de organização, desenvolvimento e implementação. Está baseado na disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras.

Fonte: http://www.fbb.org.br/

Carta da Fundação Banco do Brasil




O Projeto Pixaim nasceu em 2009 com oficinas de trança afro,leitura e teatro,que foram desenvolvidas no bairro Alvorada,Cuiabá/MT. A força do Projeto é tão grande que podemos afirmar que ele é vivo,possui força própria,sempre pautando suas ações no campo da geração de emprego e renda,tendo um recorte bem definido,a Mulher.




Desdobramentos

Diante do grande potencial do Projeto Pixaim ele gerou outras ações,que podemos chamar de desdobramentos Pixaim. Em 2010 ele se tornou um Ponto de Cultura,reforçando ainda mais suas oficinas de trança,leitura e desta vez, a oficina de confecção de boneca de pano negra.

As ações foram e são desenvolvidas no Centro Esportivo e Cultural CUFA (CECC),no bairro São João Del Rei,Cuiabá/MT.

O segundo desdobramento foi a Caravana Pixaim,que circulou mais de 30 cidades no estado de Mato Grosso,desenvolvendo ações de trança afro,leitura, e apresentação da peça teatral “Cabelo Ruim?”,baseada no livro com o mesmo nome, da escritora e jornalista Neusa Baptista, livro este que foi doado as escolas visitadas,contabilizando 5.000 exemplares. A Caravana Pixaim foi patrocinada pela Lei Rouanet, e contou com recursos do Grupo André Maggi.

Neste mesmo ano o Projeto Pixaim abriu mais dois campos de atuação: Educação e Beleza. Desenvolveu ações com o Pixaim nas Escolas,levando temáticas fundamentadas na lei 10.639/03,entregou para mais de 1000 alunos o Kit Pedagógico Pixaim (Três bonecas de pano negra,camiseta,livro “Cabelo Ruim” e uma bolsa).

No campo da beleza,participou do Probeleza Cuiabá 2010,2011,um dos maiores eventos do segmento do Brasil, e da III Semana da Beleza do Sesc (2011),Cuiabá/MT,tendo como objetivo apresentar outras possibilidade para arrumação do cabelo crespo,mais direcionado para o público feminino,por meio de oficinas elaboradas pela coordenação do Projeto Pixaim.

Foi a proposta diversificada e transversal do Projeto Pixaim ,que fez dele uma Tecnologia Social.



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A beleza na Raíz

Pixaim seleciona modelos

Por Ederson Déka

Já pensou em ser fotografado (a) e ter sua foto estampada em revistas ou outdoors com sua incomparável beleza?

Então não perca tempo!

O Projeto Pixaim da CUFA-MT (Central Única das Favelas de Mato Grosso) está selecionando homens, mulheres e crianças negras ou morenas que tenham interesse de serem modelos fotográficos e que possuam cabelo crespo. Perca o medo e a vergonha e venha desfilar seu charme com a gente.

Como participar?

Envie sua foto em boa resolução no e-mail: neusa.cufamt.cuiaba@gmail.com constando nome, idade,endereço e telefone.

Mais informações: 3665-1064 ou 9226-0944 (Neusa)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O homem está cuidando mais de sua aparência

Essa é a realidade, mas ainda faltam cuidados específicos para os homens de cabelo crespo que são obrigados a seguir uma tendência de corte

Por Neusa Baptista


Conversando sobre beleza: Karina Santiago,Neusa Baptista e Jair Vips

O universo da beleza cria e recria produtos e lança tendências, mas essas direcionadas, em sua maioria, para o público feminino. Percebemos isso nos diversos serviços oferecidos para elas nos salões de beleza. Mas agora, chamamos atenção para o setor de beleza masculina nacional, ele movimenta R$ 800 milhões, 10% do mercado cosmético, segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).

Sabemos também que a “onda” agora é alisar, alongar e deixar as madeixas “calmas”. Mas está faltando algo: onde os homens se encaixam nesse universo ultra feminino? E os homens de cabelo crespo? Qual opção sobra para eles?

Ederson Fernandes (sentado) em início da lapidação do seu cabelo por Jair Vips (em pé)

Contrariando essa tendência, o Projeto Pixaim, coordenado pela Central Única das Favelas de Mato Grosso (CUFA-MT), visitou nessa quarta (19), o salão de beleza Jair Vips, parceiro do projeto no Probeleza 2010, localizado no bairro CPA IV, que está despontando como uma das referências em cuidados com cabelo crespo, o dito “pixaim”, ou “ruim”.

A visita consistiu num bate-papo entre Karina Santiago, vice-presidente Nacional da CUFA, Neusa Baptista, coordenadora do Projeto Pixaim e o cabeleireiro Jair Vips. Assunto: Beleza. “O projeto entende que o homem, especificamente o de cabelo crespo, não tem as mesmas possibilidades de arrumação que as mulheres e os homens de cabelo liso, ou seja, muitas vezes não têm outra opção a não ser cortar baixinho ou até mesmo raspar. Isso, de alguma forma, é negar o cabelo crespo”, comentou Karina Santiago.

Trabalho concluído, satisfação total
Aceitação

“Sempre cortava o meu cabelo bem baixinho, porque assim não precisava pentear e era uma forma de fugir das piadinhas dos meus colegas. Conheci o Projeto Pixaim o ano passado e senti vontade de deixar meu cabelo crescer. Quando ele começou a ficar enorme, meus amigos, parentes e pessoas na rua riam de mim. Mas eu sempre me perguntava: Por que eu tenho que ser do jeito que as pessoas querem? Depois 10 meses, já tenho a resposta: Elas se preocupam com o que os outros falam delas. Eu não!”, comentou o professor Ederson Fernandes, cliente do salão e um dos coordenadores da CUFA-MT.

Segundo o cabeleireiro Jair Vips, o cabelo crespo precisa de cuidados especiais, pois possui uma estrutura diferenciada.Ele reclama que muitos cabeleireiros não estudam sobre isso, e acabam prejudicando seus clientes, além de impor um visual que desvaloriza sua imagem e sua etnia. “O trabalho no cabelo crespo é artístico, minucioso. É como lapidar um diamante. O cabelo do Ederson estava grande, mas sem forma. Eu apenas cortei no lugar certo, valorizando sua expressão facial”.

Informações: 3665-1064

Salão de Beleza Jair Vips: 3649-3810

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Na superação do Racismo

Kits pedagógicos foram entregues a duas escolas têm o objetivo de auxiliar na efetivação da Lei 10.639

Por Fernanda Quevedo

Apresentação do vídeo Institucional da CUFA e o Projeto Pixaim nas Escolas no Auditório da SEDUC-MT

O olhar da menina negra e gordinha, sentada na primeira fila na sala de aula se modifica. Pelo seu aspecto ela está pensativa. Pensa sobre o tema que está sendo discutido: por que afinal, as pessoas acostumaram a chamar o cabelo crespo de cabelo ruim?

Estamos na sala de aula da 8ª série da escola estadual Manoel Corrêa de Almeida, em Várzea Grande, uma das instituições de ensino que participaram do Projeto Pixaim nas Escolas, uma ação coordenada pela Central Única das Favelas de Mato Grosso (CUFA-MT). O Projeto realiza atividades de Roda de Leitura durante as aulas de Língua Portuguesa, História e Artes, e oficinas de tranças e bonecas negras aos finais de semana. No centro das discussões, a estética negra.

Todos atentos a apresentação

"Quando você ri de uma pessoa negra do cabelo crespo, faz ela se sentir mais pra baixo ainda", diz uma aluna. "Ela já não é feliz em ser como ela é e ainda acha uma pessoa pra botar ela mais pra baixo", completa outra aluna.

Interessante notar que a primeira aluna tem a pele mais clara, o cabelo liso e pintado de loiro, enquanto a segunda é negra e ostenta um cabelo crespo esticado com alisante. Um símbolo de que o tema toca tanto os negros quanto os não negros. E este é um dos objetivos da atividade em sala de aula, explica uma das coordenadoras do Projeto Pixaim nas Escolas, Neusa Baptista. "No Pixaim tratamos da discriminação racial, pois ela existe e causa danos imensos à população negra. Mas mais do que isso, trata-se da História do País, esta História maquiada, deturpada e incompleta que aprendemos na escola. Esta História precisa ser ‘recontada’".

Espaço de interação das escolas e projetos

Segundo dados do MEC, o Brasil está em segundo lugar no que diz respeito a grandes populações afro-descendentes (47%), perdendo apenas para a Nigéria. No Projeto Pixaim nas Escolas, o ponto de partida para ‘recontar’ a história desta população negra é a Roda de Leitura. O primeiro passo é falar sobre o momento atual, onde a pressão para se alcançar a beleza a qualquer custo atinge quem é negro e quem não é. Um método construído pela própria CUFA, que começa questionando por que os ídolos da cultura pop admirados pelos adolescentes são em sua maioria brancos e de cabelo liso. "Levamos o aluno a questionar por que ‘compramos’ um modelo de beleza que não é plural, que não nos representa. Ou seja, todos, negros ou não, estão inclusos na discussão", comenta Karina Santiago, coordenadora de Projetos da CUFA-MT.

Partindo daí, inicia-se um bate-papo sério, mas regado a vídeos engraçados, sites e blogs interessantes, revistas e vivências diferentes. Numa delas, os alunos modificam a aparência de fotos de revistas, riscando, colando e deixando a imaginação trabalhar. Uma forma de vivenciar que as imagens não são intocadas e, assim como elas recebem um tratamento com programas de computador como o Photoshop antes de ir para a revista, o inverso também pode acontecer. A Roda de Leitura encerra-se com o uso do kit pedagógico Pixaim, desenvolvido pela CUFA-MT e que traz o livro "Cabelo Ruim?" e bonecas de pano representando as personagens Bia, Tatá e Ritinha, que na história do livro enfrentam preconceito por ter o cabelo crespo e serem negras.

Kit Pedagógico do Projeto Pixaim nas Escolas

Kits foram distribuídos aos alunos e professores participantes do Projeto, que em 2010 foi desenvolvido nas escolas Bela Vista, de Cuiabá, e Manoel Corrêa de Almeida, de Várzea Grande. Em 2011, mais quatro escolas estaduais serão contempladas.

Mão na massa

Aos finais de semana, o Projeto Pixaim nas Escolas oferece oficinas de bonecas negras e de tranças afro, na programação do Programa Escola Aberta. Ali, além dos alunos, pessoas da comunidade também participam. Entre uma trança e uma costura, as instrutoras do projeto, a estudante Tatiane Amorim e a assistente social Joana Sene, conversam sobre temas como a discriminação racial, relações de gênero e empreendedorismo. Tudo em forma de bate-papo. A dona de casa Josinei Maria da Silva, foi uma das alunas mais assíduas e já consegue fazer alguns penteados. "Achei boa a oficina, já fazia tranças, mas não desse jeito. Minha filha disse que iria ter a oficina aqui e eu vim para aprender", diz ela, ao lado da filha, que exibe um penteado de tranças feito por Josinei.

Espaço de divulgação do projeto

Na oficina de bonecas negras, a surpresa ficou por conta de dois meninos que se integraram à turma, sem preconceito. Os estudantes André e Gabriel não deram atenção às piadinhas dos colegas, que afirmavam que fazer bonecas não era ‘coisa de homem’. "Acho a oficina legal, divertida, ocupa mais a mente da gente do que ficar em casa", diz Gabriel, estudante da 6ª série. Ele e André fabricaram os dois únicos bonecos da turma, que foram vestidos com roupas específicas para garotos.

Ensinar a graça e a leveza do artesanato em tão pouco tempo foi um dos desafios do Projeto Pixaim nas Escolas, explica Neusa Baptista. Segundo ela, a intenção é estimular nos participantes uma visão diferenciada do que seja beleza por meio do aprendizado e da construção da boneca negra em contraposição às bonecas tradicionais, geralmente brancas e de cabelos lisos. "A intenção principal é discutir padrões de beleza, estimular o aluno a construir isso, saber que é capaz de ter uma boneca com a sua cara. Isso é muito positivo".A coordenadora da Escola Bela Vista, Eliane, enfatizou a satisfação de receber as ações do projeto.

Exposição de trabalhos de alunos no evento

Kits em mãos

Ao todo, 171 kits foram doados à escola Manoel Corrêa de Almeida e 248 à escola Bela Vista. A entrega aconteceu na última sexta-feira (10) durante a II Mostra do Programa Escola Aberta de Mato Grosso, na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), com a participação de 60 escolas integrantes do Projeto. Elas levaram para lá alguns resultados das oficinas do Programa.Guilherme Costa, membro da equipe de Programas e Projetos Educacionais da Seduc, ressaltou a importância da ação para que se cumpra os preceitos da lei 10639/03. "Com a CUFA, conseguimos sedimentar ainda mais a discussão da lei, que veio para as nossas salas de aulapor meio do Projeto Pixaim . É um trabalho muito interessante e importante de sensibilização, em espacial das mulheres".

O público visitando o stand tirando fotos e dúvidas sobre a ação

Entre as atrações, alunos formados pelo Projeto Pixaim nas Escolas em tranças e bonecas, que mostraram um pouco do que aprenderam aos presentes, trançando várias cabeças. A iniciativa do Projeto Pixaim nas Escolas tem sido considerada uma ferramenta de estímulo à concretização da lei 10639/03, que obriga as escolas a incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira" e a contribuição do negro para o desenvolvimento do País.

Tatiane Amorim (Instrutora de tranças) com alunas da E.E Manoel Corrêa que demonstraram o que aprenderam nas oficinas de trança

As bonecas, confeccionadas pela Cooperativa Dom e Arte, do município de Dom Aquino, não possuem rosto, e o cenário é preto e branco. "Cenário e bonecas serão trabalhados pelas crianças em sala de aula. O cenário será pintado e as bonecas terão o rosto que os alunos escolherem", explica Neusa Baptista.

A Secretária de Estado de Educação, Rosa Neide Sandes, elogiou a iniciativa do projeto, apontando seu valor educativo. "O Pixaim tem trazido resultados positivos. Temos alunas e alunos que se envergonhavam da sua própria origem e da sua identidade e hoje são felizes em ter cabelos diferentes , cor de pelo diferente, e saber trabalhar melhor seu corpo , gestos e entender sua origem, com arte. Isso tem sido muito importante. Pretendemos continuar com esse trabalho e expandir para mais redes, e através da CUFA, que a gente traga a origem da nossa sociedade e do povo brasileiro, discutindo dentro da escola, fazendo isso com grande alegria e de forma natural".

Da esquerda para a direita: Profª Rosa Neide (Secretária de Educação-MT),Neusa Baptista (CUFA-MT), Profª Eliane (Coord. E.E.Bela Vista) e Profª Maria Rosa (Dir. E.E Manoel Corrêa de Almeida)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cerca de 300 crianças participam do primeiro dia da Caravana Pixaim

O primeiro dia da Caravana aconteceu na Escola Estadual Alice Fontes, no Parque Cuiabá

Por Fernanda Quevedo






Alunos da escola estadual Alice Fontes


A Caravana do Projeto Pixaim já começou, e com muita emoção. A primeira escola a ser visitada pelo projeto foi a Alice Pinheiro Fontes, localizada no bairro Parque Cuiabá. A ação é capitaneada pelo Núcleo Maria Maria da CUFA-MT (Central Única das Favelas de Mato Grosso) e patrocinada pelo Grupo André Maggi, via Lei Rouanet. Cerca de trezentas crianças assistiram ao espetáculo “Cabelo Ruim”, encenado pelo Grupo de Teatro Tibanaré, que foi imensamente aplaudido pelas crianças. A Personagem Ritinha foi a que mais chamou a atenção.

Elas também assistiram aos vídeos do Projeto, e à demonstração de trança afro feita pela professora Delânia Neris, que ministra oficinas de tranças no Ponto de Cultura Pixaim. Mas não foi só assistindo que as crianças participaram. As alunas do 5º ano fizeram a apresentação de dança “Africas”, e as alunas do 6º e 7º apresentaram o espetáculo de dança “Axé”.



A atriz Hendy Assunção do Grupo Tibanaré no corpo da personagem Bia


As apresentações finalizam o trabalho “Africanidade” iniciado em sala de aula, segundo a professora de História Marluce de Andrade Silva. “A idéia é colocar a cultura afro em evidência, assim como o Projeto Pixaim. Ficamos muito felizes, pois trabalhos desta natureza são muito importantes. Acredito que 90% da população brasileira é negra”, comenta a orgulhosa professora.

Já a coordenadora Dalva Amaral Evangelista se sente orgulhosa pela Escola Alice Fontes ser a primeira a receber a caravana. “É uma grande oportunidade receber o Pixaim aqui”, ressalta. A coordenadora diz que a escola já realiza o trabalho “Africanidade” mas trabalhar pelo viés do cabelo é um conhecimento a mais.

Alunas disseram que aprenderam que os cabelos não são "ruins"

O livro “Cabelo Ruim?” foi distribuído para escola e segundo a coordenadora permitirá que o conhecimento dos alunos sejam aumentado, já que os livros ficarão à disposição na biblioteca da escola. A distribuição dos livros vai ao encontro da aplicação da lei 10.639/03, a qual inclui de maneira obrigatória o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas públicas de todo o País.

Quando questionada sobre a peça, e o conhecimento adquirido com ela, a aluna da 6ª série Bruna Rafaela, de 12 anos, responde sorridente e brincalhona, mostrando o cabelo da amiga Mayle Tereza, de 13 anos: “Que seu cabelo não é ruim!!!!”. Ela também diz que seria muito bom que o projeto passasse pela escola da sua irmã mais nova, pois “lá os meninos só brincam de falar que o nosso cabelo é feio, ruim e Bombril”.


Ritinha em cena


Calendário desta semana:
André Luis da Silva Reis, na Miguel Sutil (06/05);
Pascoal Moreira Cabral, no Jardim Universitário (07/05);
Ernesto Camilo Barreto, no Jardim Paulista (08/05).


+Acompanhe a Caravana em tempo real pelo Twitter do Projeto Pixaim


Mais fotos:








domingo, 24 de janeiro de 2010

Ponto de Cultura Pixaim é apresentado às lideranças de bairro

Presidentes dos bairros próximos ao Centro Esportivo Cultural CUFA são convidados a debater metodologia de projetos a serem desenvolvidos no espaço

"Negão" Vice Presidente do bairro São João Del Rei, Marcos Vidal e Joana do bairro Manduri


O recém-inaugurado Centro Esportivo Cultural CUFA abriu suas portas na última sexta-feira para presidentes de associação de moradores dos bairros próximos ao centro. A intenção é debater junto a comunidade as metodologias a serem utilizadas em dois dos projetos que estão sendo desenvolvidos no espaço: o Ponto de Cultura Pixaim, e o jornal comunitário Dialéto, capitaneados respectivamente pelo Núcleo Maria Maria e pelo Favela Comunicação (Núcleo de Comunicação CUFA-MT).

A reunião contou com a presença de Marcos Vidal, Presidente do Bairro Manduri, Joana Oliveira, moradora do mesmo bairro; Nabor Oliveira, presidente do bairro Liberdade, e a sua esposa Dolores Oliveira; Francisco Lino, presidente do bairro Novo Milênio, Antônio Rodrigues do Coxipó Mirim, e “Negão”, do Bairro São João Del Rey; Joana Sene e Gabriel Amorin, moradores do Bairro Jardim Fortaleza. Joana trabalhará no Projeto Pixaim como instrutora do curso de artesanato.



Dolores e Nabor Oliveira do bairro Liberdade e Francisco Lino do Bairro Novo Milenio


Dentre as questões discutidas, estava a distância entre o bairro e outro, o que pode refletir diretamente nas oficinas do Ponto de Cultura Pixaim, haja vista que as oficinas serão realizadas no período vespertino e aos finais de semana. Os presidentes destacaram que a dificuldade não será um empecilho, já que a proposta do projeto é de relevância para a comunidade.

Outro ponto debatido com a comunidade foi o jornal comunitário Dialeto, iniciado no Bairro Alvorada. A idéia é que o jornal seja um veículo de comunicação do bairro onde a CUFA esta instalada. Porém o Centro Esportivo tem a missão de oferecer atividades esportivas e culturais aos bairros próximos ao centro, que ao todo somam 10 (bairros).


Francisco apreciando o Jornal Dialéto

Assim, os presidentes de bairro, decidiram junto a CUFA, que cada bairro, será o foco de cada uma das edições do jornal, que será mensal, atendendo assim cada um deles. A ordem dos bairros será estabelecida por sorteio.


Todos os presidentes de bairros presentes declaram apoio à CUFA em especial, no que diz respeito a mobilização de moradores para as atividades a serem desenvolvidas no Centro. Uma próxima reunião foi marcada para o dia 27, desta vez para ouvir as mulheres que serão usuárias do Ponto de Cultura Pixaim.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Grupo André Maggi destaca relevância do Projeto Pixaim

Dentre os benefícios destacados pelo Grupo está o de formação de novos agentes de transformação sócio-cultural.


Pixaim no Festival Consciência Hip Hop 2009. Foto: Paulo Kid


Pedro Jacyr Bongiolo, Presidente do Grupo André Maggi, um dos maiores do setor de agronegócios do país, e patrocinador de uma das ações do Projeto Pixaim, destaca em entrevista a relevância social do projeto. Pixaim é uma ação do Maria Maria, núcleo de mulheres da CUFA (Central Única das Favelas).



Jacyr Bongiolo, Presidente do Grupo André Maggi


O grupo é financiador de uma ação que levará as atividades do projeto a 30 municípios do interior mato-grossense. As atividades compreendem lançamento e doação da 2ª edição do livro “Cabelo Ruim? A História de três meninas aprendendo a se aceitar", de Neusa Baptista, coordenadora do Maria Maria em MT, bem como atividades de leitura, demonstrações de trança afro, e apresentação de peça teatral baseada no livro.

Confira a entrevista na íntegra:

Favela Comunicação: Por que o Grupo André Maggi decidiu apoiar este projeto?
Jacyr Bongiolo:O apoio a projetos socioculturais é uma constante no Grupo André Maggi, que direciona esses apoios, em sua maioria, por meio da Fundação André Maggi. Buscamos apoiar projetos que contribuam com o desenvolvimento local das regiões onde o Grupo atua. E o Projeto Pixam é um projeto consolidado, cujos benefícios socioculturais são inúmeros e já vêm sendo percebidos pelos participantes, principalmente no que se refere à busca pela eqüidade de gênero e raça e a promoção da educação.

FC:O que o Grupo espera com este apoio?
JB:Esperamos que a proposta do projeto seja difundida para o maior número possível de pessoas e regiões. O Grupo André Maggi conta hoje com a Fundação André Maggi, que contribui para o desenvolvimento de ações em âmbito social e cultural, mas nem assim conseguimos atender a todas as comunidades em que estamos inseridos. Com esta parceria, além de auxiliarmos um projeto de extrema importância e que vai beneficiar um número ainda maior de pessoas, cumprimos nossos compromissos frente às comunidades que tão bem nos recebem.

FC:Quais os benefícios de se apoiar um projeto social e cultural?
JB:Projetos socioculturais geram inúmeros resultados tanto para a empresa como para as comunidades beneficiadas. São ações que aproximam empresa e comunidade, que passam a se conhecer de maneira mais aprofundada. Além disso, demonstram nossa posição frente à Responsabilidade Social e criam oportunidades para funcionários praticarem a cidadania. Mas o principal beneficiado é mesmo aquele a quem o projeto se destina. No caso do Pixaim, estamos fomentando o desenvolvimento e formando agentes de transformação, que vão divulgar a importância da luta contra o preconceito e a da valorização da educação.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Trançando idéias no Festival!!

Valeu demais a participação do Projeto Pixaim durante a realização do 5º Festival Consciência Hip Hop, no bairro São João Del Rey. O mais interessante é que muita gente saiu de lá sabendo os rudimentos da trança nagô, coisa que se demora meses para aprender. Isso mostra que há demanda e que o dom de ensinar está aos poucos sendo desenvolvido pelas pessoas formadas pelo Projeto Pixaim.

Durante o evento, contamos com a presença de Ketelyn Eufrásio, Val Siqueira e Letícia Sene. Esta última, aliás, pegou pesado, trançando e fazendo dread locks até altas horas da noite, entre uma parada e outra para conferir as bandas que se esmeravam no palco. Muito bom.


Ao todo, devemos ter atingido cerca de 50 mulheres e 60 crianças (e até adultos) que fizeram as atividades de pintura, desenho e ouviram um pouco da história do livro "Cabelo Ruim?". O stand estava na maioria das vezes animado, cheio de gente conversando, perguntando, trançando, espiando, aprendendo.



Muita gente que foi para espiar acabou saindo trançando ou trançada. Entre elas a dona de casa Cléia Bezerra da Silva, de 30 anos, que trabalha com nutrição escolar. “Vim ver como era o evento, quero aprender para trançar o cabelo da minha filha”, disse ela. “A oficina é muito legal, vou vir sempre ao Centro Cultural para fazer alguma coisa”, comentou o estudante Hugo Vinícius da Silva, de 14 anos, que participou da atividade de pintura.
Destaque para as meninas do hip hop do interior, que se interessaram e levaram para suas cidades um pouco do conhecimento difundido pelo Projeto Pixaim e pelo núcleo Maria Maria.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Histórias do Pixaim serão parte de documentário

Site PnB On Line e CUFA produzem documentário sobre o Núcleo Maria Maria

Texto por Fernanda Quevedo
Fotos por Neusa Baptista


Ketiry contando sua experiência

Em parceria com o site PnB On Line, a CUFA está produzindo quatro mini-documentários, de um minuto cada. Dentre os quatro eixos-temáticos, esta o tema “mulheres”, cuja idéia é publicizar as ações e as histórias das mulheres e do Projeto Circuito Pixaim na TV PnB. Ontem foi o dia de gravação das oficinas de leitura e trança, e a emoção foi o que não faltou.

Gravando

Primeiro pelo fato de todas as cursistas jamais tinham passado por experiência do tipo, e essa é uma forma de valorizar cada uma delas que ajudam a construir a história do Pixaim. Segundo porque as histórias são cada uma mais emocionante e interessante do que a outra. Mas isso não vamos contar aqui. Logo logo o documentário fica pronto, é só aguardar aqui, ok?!